terça-feira, 15 de agosto de 2017

Nascimento, recuperação, regresso a casa

O nascimento
Como comecei a contar aqui, induziram-me o parto de manhã, com 38 semanas e 4 dias de gravidez.
Durante todo o dia nada de sinais. Não houve sequer contrações..
De vez em quando sentia diferenças mínimas mas eram apenas psicológicas, o meu subconsciente procurava sinais que na realidade não existiam.
Às 18h30 o dtr quis observar-me. Não havia desenvolvimento no parto e não sabíamos exatamente o que se tinha passado com o líquido amniótico - havia a possibilidade de o ter perdido há mais de 24horas quando fui ao hospital, o que pode levar a infeções.
Não querendo arriscar, o dtr anunciou que faria cesariana.
Nesse momento entrei em pânico. Não propriamente pela cesariana mas porque tinha chegado o momento. Não sei explicar, foi muita emoção ao mesmo tempo. Só me apetecia fugir. Queria estalar os dedos e ter a bebé no meu colo em vez de estar ali deitada no bloco operatório.
Antes de ir para o bloco puseram-me uma alegália, nada de mais.. Mas no estado de nervos em que eu estava era ela a culpada de tudo.. Chegaram a perguntar-me se estava a magoar-me por estar mal posta.. Ao que respondi: "Não magoa, mas faz-me muita impressão. Eu pensava que era mais forte, afinal sou mesmo fraca" E estive nestas tristes figuras até levar a epidural e ficar extremamente calma!
A anestesista pensou mesmo que o meu problema era com a epidural. Juro que não, o meu problema eram as hormonas.
Tenho a dizer que cesariana com epidural é uma forma ótima de trazer um filho ao mundo. Não temos dor e vemos o nosso bebé assim que sai de dentro de nós!
A recuperação
A primeira noite foi péssima a nível psicológico. Não me podia levantar. Se a bebé chorasse vinham as senhoras enfermeiras tratar dela, ou colocá-la no meu colo. Passei toda a noite a 'rezar' para que não chorasse porque me sentia incapaz de tratar dela. Quando ela fazia algum barulho eu levantava o tronco e acalmava-a falando-lhe baixinho e abanando-lhe o berço. Quando chorava mais [com fome], as senhoras enfermeiras vinham em nosso auxílio.
É normal isto acontecer após as cesarianas e as próprias enfermeiras disseram que não me preocupasse que estavam lá para isso. Mas custou-me muito saber que tinha acabado de ter uma filha e não conseguia tratar dela.
Assim, de manhã, mal me chamaram para tomar banho [com ajuda de auxiliares] fiquei contente. Só queria ir e levantar-me para recuperar mais depressa.
Levantei-me e comecei o dia calmamente, como me mandaram. Durante esse dia andei "fresca e fofa" nem parecia que tinha sido operada e tinha pontos na barriga..
No segundo dia levantei-me ótima e fui tomar banho sozinha. Pouco depois fui dar banho à bebé e começaram as dores. Efeitos secundários da epidural: uma dor mega forte no cimo do pescoço, que me afetava cabeça e/ou olhos. Uma dor tão forte que se tornava incapacitante. Dificultava-me mudar a fralda e dar biberão/ tentar amamentar. Uma dor que aumentava devido ao estado de nervos em que eu ficava por me sentir incapaz de atender às necessidades da minha filha.
Não era uma dor contínua, mas quando me dava obrigava-me a procurar posição deitada, agarrada ao pescoço a massajar-me a mim mesma.
Ainda não percebi bem se este efeito secundário me aconteceu só "porque sim" ou se foi devido a ter abusado no primeiro dia, mas a verdade é que me acompanhou durante toda a estadia hospitalar.
Em casa já ameaçou várias vezes começar a doer mas, graças a Deus, nunca chegou a ser como no hospital. Penso que também graças ao facto de em casa estar mais calma e sem horários a cumprir. Desde que viemos para casa temos apenas um horário: a alimentação da Caetana! Tudo o resto é secundário e sem horário definido.
O regresso a casa
No momento em que disseram "A Caetana tem alta!" fiquei feliz. Estávamos de saída.
Mais tarde, após o preenchimento das burocracias disseram-me "A sua alta está assinada"
E caiu-me a ficha: "Bolas, vamos para casa. Eu, a bebé e o pai! E agora? Vamos mesmo saber tratar dela? Se o pai pudesse ficar conosco aqui no hospital bem que cá ficava mais uns dias. É só carregar no botão e vêm logo as enfermeiras ajudar.. Em casa não há enfermeiras.. Há apenas dois adultos inexperientes, pais de primeira viagem!"
Mas claro que não podíamos ficar. E ainda bem porque, assim que colocámos os pés em casa, tudo ficou melhor. A mãe e o pai sabem o que fazer.
O instinto materno sabe sempre o que é melhor para os nossos filhos!
Têm sido dias incríveis.

Nascimento


Nascimento


sexta-feira, 11 de agosto de 2017

O susto e o nascimento

Acordei e senti qualquer coisa, nada de especial, um ligeiro aperto no fundo da barriga. Mas algo que me fez pensar: se calhar é melhor fazer já o meu saco de maternidade para meter no carro [o da Caetana já lá andava há imenso tempo].
Assim fiz, acabei de meter o que faltava e foi tudo para o carro.
nascimento
Fizemos 100km para o pai fazer uma TAC e um RaioX no mesmo hospital onde eu andava a ser seguida.
Entretanto eu andava a transpirar muito e tinha as cuecas húmidas com frequência.
Uma vez que íamos ao hospital, aproveitei para ir ao piso de obstetrícia falar com as senhoras enfermeiras. Eu pensava que já tinha começado a perder o rolhão mucoso e estava com medo que o húmido das cuecas fosse líquido amniótico. No fundo achava ser apenas transpiração, mas algo me dizia que seria melhor passar por lá e perguntar.
Mandaram-me fazer ficha na urgência para ser vista pelo médico. 
O médico viu que eu não estava a perder líquido e ainda tinha o rolhão mucoso mas, quando fez ecografia, viu também que a bebé praticamente não tinha líquido. Já não me deixou sair!
Mandei mensagem ao meu marido [que estava no outro piso à espera para fazer os exames] a pedir que fosse ao carro buscar as malas. Ele assim fez, pensando ser algo normal [que eu tinha tido contrações ou algo do género].
Entretanto isto aconteceu 15 minutos antes da hora da visita e logo apareceu a minha mãe - antes mesmo do meu marido porque se esqueceram dele para fazer os exames.
O coitado do homem, quando chegou ao pé de mim, ia caindo para o lado: entrou no quarto todo contente com as malas e ecografias e ouve a minha mãe ao telefone a dizer que tinha sido um milagre e, se não tivessemos ido naquele dia, a bebé não resistiria até ao dia da consulta.
Sim, foi mesmo assim porque eu nem sequer tinha sintomas de que algo estivesse realmente mal. Chamem-lhe instinto materno, chamem-lhe Deus, deem-lhe o nome que quiserem mas que foi um milagre lá isso foi. Para mim foi Deus que ativou o meu instinto materno e salvou a minha filha!
Isto aconteceu numa sexta feira, estava eu grávida de 38 semanas e 3 dias.. Fiquei internada à espera de segunda opinião..
No dia seguinte induziram-me o parto de manhã e o resto fica para outro artigo [adianto apenas que, graças a Deus, correu tudo bem, como podem ver no instagram]
Fica aqui a última foto da Caetana dentro da minha barriga, com 38 semanas e 2 dias
nascimento

terça-feira, 1 de agosto de 2017

julho

  • Sétimo mês sem fumar;
  • O meu saco de maternidade está praticamente preparado;
  • Emagreci - a Caetana estava muito subido e apertava-me o estômago;
  • Já me saíram bocados do rolhão mucoso;
  • Muita ansiedade, principalmente desde a semana 36 por ser a semana em que os bebés deixam de ser prematuros.
Sê bem vindo agosto, meu mês e mês da Caetana!

julho


quinta-feira, 27 de julho de 2017

37 semanas

E um desejo gigante de conhecer a nossa princesa.
Todo e qualquer sintoma diferente me leva a crer que se aproxima o trabalho de parto [até agora tudo falsos sintomas].
No fim de semana tive diarreia [desculpe, a franqueza], sendo que há quem diga que é um sinal de que o parto se aproxima..
Ontem e hoje - 37 semanas e 1 e 2 dias - e vai para aqui uma grande revolução intestinal: sinto-me presa dos intestinos. Vou ao wc e não sai nada, nem os gases que parecem querer sair durante todo o dia!
Por ser primeira gravidez não faço a menor ideia se é ou não um sinal..
Tudo me deixa alerta.
A vontade de a conhecer é imensa. O medo de que algo aconteça também.
O trabalho de parto devia ser igual para todas as mulheres. Devia haver uma data certa [e não apenas provável]!
Se assim fosse tudo se tornava menos aflitivo. Toda a gente ia saber exatamente o que fazer e em que momento ir para o hospital.
Não sendo assim resta-nos apenas viver o momento. Aguardar serenamente a chegada da nossa princesa, do nosso grande amor maior. Tentar não procurar muito na net, para não encararmos tudo como um sinal que, na maioria das vezes, nada sinaliza! 
É viver o momento e acreditar que, quando chegar a nossa hora, nós vamos saber!

Deixo duas fotos. A da esquerda é de ontem, a da direita de hoje. Porque me disseram que de ontem para hoje a barriga desceu - a também me parece que sim! - o que também me leva a crer que o parto não estará assim tão longe.

semanas

terça-feira, 18 de julho de 2017

Ausência e instagram

Desculpem a ausência mas tenho andado mais pelo instagram.
Passem por lá 😊

 
Eu sei que não é a mesma coisa mas não tenho tido grande inspiração para escrever.
Se quiserem que fale sobre algo em especial não hesitem em dizer.
No entanto estou a pensar num post parar hoje ou amanhã, sem compromisso..



sexta-feira, 14 de julho de 2017

A responsabilidade e a doença!

O H andou [e anda] com dores. Como diz a minha prima, tem aquela doença dos homens. Não, não é uma doença só de homens, o H anda [ou andou, não sei bem] hipocondríaco!
Só assim se explica que, de há uns tempos para cá, esteja sempre aflito e, pior, com medo de ter uma doença grave e morrer, antes mesmo de conhecer a filha - prevista para nascer daqui a 5 semanas.
Quando o conheci 'nunca' estava doente. Por vezes tinha dores, mas só se queixava quando se tornavam insuportáveis [e já doíam há vários dias].
Desde que engravidei começou a ter algumas dores. Quanto mais a gravidez se aproxima do final, mais dores / caroços ele tem.
Na semana passada apareceu-lhe um 'caroço' na garganta e, por não lhe doer, ficou em pânico. O meu tio é otorrino, assim que lhe apalpou a garganta percebeu que, graças a Deus, o que ele sentia não era nenhum caroço mas sim a formação normal da garganta [o meu tio explicou com nomes, eu é que não os sei].
Eu percebo que tudo isto esteja associado à gravidez e ao stress da responsabilidade que se aproxima. No entanto acho que ele não está a fazer bem as contas.
O que é que as contas têm a ver com o assunto? Tudo!
O principal problema do H é morrer e não ficar cá para governar a filha [porque as restantes responsabilidades não o assustam, e ainda bem].
Ok, um filho é uma despesa mas bolas, há gente com bem menos que nós que tem filhos e nada lhes falta!
Nós até somos daqueles casais que tem noção de que educar não é dar prendas a toda a hora!
Mas bom, entretanto anda melhor. Tirou uns dias para ficar a descansar as costas e, aparentemente a situação está mais controlada.
Foi também a um médico de clínica geral que lhe receitou uns medicamentos e a um ortopedista que lhe passou um Raio-X e uma TAC - ficaram ambos agendados para agosto, por não ser possível fazer antes.
A TAC tem por finalidade o despiste de uma hérnia discal [um dos seus medos], mas depois do possível 'diagnóstico', a minha mãe referiu uma data de pessoas que também as têm, não foram operadas e continuam as suas vidas.
Não sei se foram essas histórias ou o simples facto de ter percebido que o seu estado psicológico estava a influenciar muito as dores [até porque o médico de clínica geral também referiu que o stress ajuda a que os nervos das costas se contraiam e doam] mas mudou de atitude e ficou mais animado.
Ontem já foi trabalhar e chegou a casa com uma alma nova [graças a Deus].
Vamos ver o que nos reservam os próximos episódios.

E as mamãs desse lado, também têm ou conhecem alguma história deste género? Contem-me as vossas histórias!

educação


educação


segunda-feira, 3 de julho de 2017

O início de uma grande amizade!

Ele dorme aos nossos pés [ou vai dormir para o corredor ou para a sala quando está mais calor].
Ontem, quando me sentiu acordar, mudou de sítio.
Continuou a dormir, junto à Caetana 💛
Tenho a certeza que eles vão ser melhores amigos e, dentro das suas limitações de tamanho e peso, ele vai ser o seu protetor!
Estou muito curiosa com as reações de ambos. Como reagirão um ao outro?
Na minha opinião o Óscar está na idade ideal para a chegada de um bebé: Tem 2 anos, já não é cachorro - está educado, conhece as suas limitações em casa [não que seja super obediente mas, obedecendo ou não, sabe até onde pode ir], já não faz aquelas asneiras de cachorrinho nem anda a roer tudo o que lhe aparece à frente. Por outro lado ainda é novinho e tem muitos anos pela frente.
Só tenho medo de uma coisa: as unhas! Já mandei vir uma lima elétrica e quero ir com ele a um groomer tratar do assunto [e também do pelo, por uma questão estética - tem cada ponta a crescer para seu lado].
Ele não é mau para as pessoas mas não tem noção que, mesmo sem querer, as suas unhas arranham imenso.
Quanto à reação da Caetana tudo é mais incerto.
A verdade é que ela já conhece o Óscar. Já lhe deu pontapés e ouve-o todos os dias [ele faz por ser ouvido].
O que mais me aflige em relação a ela é outro aspeto.. Ela vai nascer já com a presença do Óscar cá em casa. Mas ele tem uma esperança média de vida bastante inferior à nossa. Assusta-me pensar que, nalgum momento, a Caetana vai ter de lidar com a perda dele. Eu sei, há perdas bem piores, mas esta é uma perda certa! No máximo dos máximos, o Óscar durará até aos 14 anos dela. Mas não pensemos nisso agora..
A verdade é que acho que eles serão grandes amigos e vou adorar ver a Caetana crescer com o Óscar!
Nunca li nenhum estudo que dissesse que é prejudicial para as crianças crescer com animais em casa. Por outro lado, já li imensos que provam precisamente o oposto - é super benéfico crescer com animais em casa!

sábado, 1 de julho de 2017

junho

  • Sexto mês se fumar;
  • Quarto da Caetana completamente montado;
  • Saco de maternidade da Caetana preparado;
  • Desta vez só engordei 500g;
  • Os pés continuam inchados e, graças a ser verão, já só me servem umas sandálias ortopédicas que ajudam a minimizar o inchaço;
  • Tivemos a certeza de que a Caetana é pequenita e o médico prevê que nasça com cerca de 3kg;
  • Entrei de férias e fiquei oficialmente desempregada;
Que venha julho, o último mês completo que passarei grávida, se Deus quiser.

sexta-feira, 30 de junho de 2017

A sério Maya?

Nem queria falar sobre este assunto, acho até estúpido dar importância a uma pessoa que diz adivinhar o futuro com base em cartas [sim, se ela não respeita o corpo de outras mulheres também não tenho de respeitar a sua profissão/ ocupação/ trabalho/ o que lhe queiram chamar].
Mas a verdade é que não aguentei.
Quem é que a Maya pensa ser para desrespeitar uma pessoa desta forma?
Realmente as mulheres conseguem ser muito cruéis umas com as outras, mas isto é de mais. E ainda diz que "Uma figura pública é um exemplo". Pois é, e um exemplo devia ser também o respeito pelos outros, coisa que a própria não teve pela Carolina.
Toda a gente sabe quem é a Maya, se acha que é pouco falada que faça algo de útil e publique nas redes sociais - assim tanto pode ser elogiada por fazer ou criticada por mostrar! Mas não, isso dá muito trabalho não é? Sentar-se e criticar custa menos, ainda por cima até lhe pagam para isso!
Ela bem diz que  "Estou muito habituada a ser criticada e lido muito bem com isso" - Nota-se que lida bem com isso, lida tão bem que até faz de propósito! 

Nem todas as mulheres conseguem voltar à forma tão depressa como desejariam (...) o importante é haver saúde!

Como é que ela tem coragem de dizer que não é normal o corpo da Carolina estar como está?
Falamos de uma pessoa que em menos de 11 meses passou por 2 [sim, DUAS] cesarianas. Uma pessoa que antes de voltar à forma pelo primeiro filho já estava grávida do segundo!
Se a barriga ainda está larga? Claro que está! Se tem estrias? Claro que tem! Mas bolas, passou um mês, como pode alguém achar que não é normal?
Desde há um mês que a Carolina é mãe de DOIS bebés, um deles recém-nascido! Imagino que no primeiro mês de vida de um filho a prioridade da mãe seja o próprio do filho e não o seu corpo, muito menos quando falamos de uma casa onde há também outro bebé, acabado de completar um ano.
Eu acredito mais nos médicos do que nas cartas!
Gostei da foto da Carolina, sei que não é a única naquela situação e é bom haver quem mostre também o lado menos bom da vida e, neste caso, da maternidade.
É muito bom ter filhos e estas transformações do corpo da mãe, apesar de menos boas, fazem parte. Nem todas as mulheres conseguem voltar à forma tão depressa como desejariam, cada corpo tem o seu metabolismo e o importante é haver saúde!
Como é que a Maya continua a afirmar que a Carolina não pode ser saudável naquele corpo após ela dizer que tem acompanhamento médico?
Viu nas cartas, foi? Não sei quanto às outras pessoas mas eu acredito mais nos médicos do que nas cartas! E olhando para a foto só me ocorre o seguinte:
"Carolina, obrigada pela partilha e parabéns pela coragem. És um exemplo para outras mães que ainda não conseguiram voltar a caber nas roupas que tinham antes de engravidar!"

quinta-feira, 22 de junho de 2017

Educar um filho na cidade ou no campo?

Eu escolhi o campo!

Nasci e vivi na minha cidade até aos 18 anos.
Aos 18 mudei de cidade: saí de casa da mãe para estudar.
Aos 20 conheci o H.
Vivemos 2 anos na cidade onde nos conhecemos e, aos meus 22, mudámo-nos para a vila 'dele'.
Inicialmente eu estava em estágio, fazia todos os dias 60km: vivia na vila e 'trabalhava' na cidade distrito.
Quando acabei o estágio fiquei mais pela vila, não ia [nem vou] todos os dias a nenhuma cidade, porque não preciso!

É melhor viver no campo ou na cidade?
Acho que não há uma resposta universal. Para mim, sem dúvida, é melhor viver no campo mas compreendo quem prefere viver na cidade - gostos não se discutem.
Mas a verdade é que, hoje em dia, tudo chega a todo o lado, graças a este fenómeno chamado internet. Tanto nos chegam as notícias de todo o mundo como as compras de que precisamos.
Raras são as lojas que não têm loja online. Nesses casos, ou só porque preferimos escolher fisicamente, pegamos no carro e deslocamo-nos.

E quanto à educação de um filho?
Numa vila [e no nosso caso também na cidade concelho - que fica a menos de 15km], a educação e a saúde estão um pouco mais condicionadas. Há menos hipóteses de escolha entre escolas e - o que considero menos bom - menos atividades extra curriculares: Eu sou apologista de os colocar em várias durante o jardim de infância [enquanto ainda não têm responsabilidades] para que experimentem e saibam do que gostam mais, para depois decidir o que querem continuar quando entrarem para a escola primária.
No entanto, apesar de poucas atividades, há toda uma liberdade que não há nas [médias e grandes] cidades!

O que é viver numa vila?

  • é ter um problema de água, chegar a casa e ter 2 garrafões cheios à porta, deixados pelos vizinhos;

  • é os vizinhos perguntarem onde vamos e dizerem onde vão ou de onde vêm, mesmo sem nós perguntarmos nada;
  • é comer fruta diretamente das árvores;
  • é passar pelas pessoas e cumprimentar;
  • é ajudar e ser ajudado;
  • é ter espaços que permitam às crianças brincar ao ar livre sem perigos;
  • é ver e perceber de perto as mudanças de estação pelas árvores, flores e amimais;
  • é passar por vacas/ porcos/ cabras/ galinhas/ ovelhas/ cavalos, a caminho da escola;

  • é ter insónias de madrugada e ver o nascer do sol ao som dos passarinhos;
  • é não ter trânsito [habitualmente] para chegar a lado nenhum;
Ok, ás vezes há trânsito mas é raro..
  • é ter imensos espaços verdes; 
  • é poder ter uma horta e ver crescer alguns dos nossos próprios alimentos;
Uma mínima amostra recolhida, no ano passado, na horta do bisavô da Caetana
  • é as crianças poderem andar sozinhas sem correrem riscos;
  • é saber sempre o que os miúdos andam a fazer porque há sempre alguém que os viu;
  • é saber 'filtrar' as informações que nos chegam via facebook analógico [leia-se de boca em boca] que nem sempre são credíveis - toda a gente sabe que se inventa muito em meios pequenos;
  • é toda a gente se conhecer, para o bem e para o mal;
  • é tanta coisa..

Viver numa vila proporciona todo um contacto com a natureza que não é permitido nas cidades.


Ao mesmo tempo, pegamos no carro e em menos de nada estamos numa cidade grande, para ir com os nossos filhos a um museu ou a um concerto do panda e os caricas.
Tudo depende da vontade e disponibilidade dos pais em sair com as crianças de vez em quando.
Eu sei que as crianças de cidade também podem passar fins-de-semana nas vilas, tomando contacto com a natureza e os animais, mas não acho que seja a mesma coisa.

Por tudo isto e muito mais eu escolhi viver no campo e tenciono educar aqui a minha filha. Parece que me contradigo porque a vou colocar na creche da cidade concelho [uma cidade pouco maior do que a 'nossa' vila] mas são apenas 15 minutos de distância, bem menos do que a maioria das crianças demora a chegar à creche numa cidade grande.

[Todas as fotos deste artigo foram tiradas por mim, na vila onde vivemos e na estrada que separa a vila da cidade concelho].